Notícia  /  22.01.2021

Colecionismo 7

Tóquio 1940, 1964, 2020/2021

Ainda antes de martirizado pela bomba atómica, o Japão tinha iniciado a caminhada rumo à organização dos Jogos Olímpicos no longínquo ano de 1932, em Los Angeles, com a candidatura da capital, Tóquio, aos Jogos de 1940. No entanto, a candidatura só em 1936 seria aprovada, em Berlim, em concorrência com grandes cidades europeias como Barcelona, Helsínquia e Roma, apresentando grandes projetos, mas cheios de nuvens cinzentas, pela política japonesa de expansionismo militar na sua zona de influência.

Esta fase terminaria cancelada em 1938, surgindo nova etapa olímpica para 1964, ano em que, de facto, pela primeira vez os Jogos Olímpicos vieram a ter lugar fora da Europa e dos Estados Unidos, no grande continente asiático: em Tóquio, de 10 a 24 de Outubro desse ano. Era a grande época do modernismo desportivo, iniciado em Roma-1960, e a capital japonesa proporcionou grandes jornadas olímpicas.

Tóquio protagonizou nova candidatura para 2020, apresentando excecionais e modernas instalações desportivas e outras grandes obras na cidade. Mais uma vez, o destino foi traiçoeiro ao povo japonês, com o surgimento de uma pandemia que invadiu o mundo e obrigou à tomada de difíceis decisões políticas, desportivas e económicas – para a organização, para a cidade e para milhares de atletas de todo o mundo, que viram os seus sacrifícios de quatro anos prolongados até novas datas: de 23 Julho a 8 de Agosto de 2021 (sempre com grandes interrogações…).

No entanto, nenhum desses contratempos impediu que, dentro do programa de promoção desta grande jornada olímpica, tivessem lugar pelo menos algumas das manifestações já previstas, começando pela Estafeta da Chama Olímpica, acesa na velha cidade grega de Olímpia a dia 12 de Março. A chama iniciou o percurso na Grécia, rumo ao Estádio Panatenaico, em Atenas, onde chegou a 19 desse mês, partindo no dia seguinte para Tóquio, a bordo de um Boeing 787 das Linhas Aéreas Japonesas. O destino era a Base Aérea de Matsushima, na prefeitura de Miyagi, onde a 21 de Março teria início uma longa maratona de 121 dias até Tóquio, passando por 857 municípios, com o conceito “A esperança ilumina o nosso caminho”.

Legendas

Fig. 1 – Sobrescrito comemorativo, 12.MAR.2020 / Olympia, data em foi acesa a Chama Olímpica para Tóquio-2020.

Nota – A pandemia do Covid-19 já andava pela Grécia e esta Estafeta da Chama Olímpica acabaria por ter apenas duas grandes manifestações complementares: a saída de Olímpia e a chegada a Atenas. Todas as iniciativas programadas para os restantes locais de passagem da estafeta foram canceladas, pelo que são conhecidas somente as duas marcas postais gregas relativas a estes momentos: Olympia 12.MAR.2020 e Atenas 19.MAR.2020.

Fig. 2 – Avião Boeing 787 das Linhas Aéreas Japonesas, com pintura temática, baptizado com o nome TOKYO 2020 GO e que transportou a Chama Olímpica a 20 de março de 2020 da Grécia para o Japão.

Em terras japonesas, a Estafeta da Chama Olímpica acontece como se encontrava programada, com percurso iniciado a 21 de março, na estação ferroviária de Sendai. A viagem de comboio vem a ser interrompida a 24 de março, devido ao adiamento dos Jogos, no Parque Acquamarine, na cidade de Iwaki, onde a Chama Olímpica ficou depositada. A estafeta será reiniciada a 25 de março de 2021, rumo a Tóquio.

Fig. 3 – Parque Aquamarine, em Iwaki, prefeitura de Fukushima, onde se encontra depositada a Chama Olímpica.

Fig. 4 – Carta registada com bloco de selos comemorativos dos Jogos Olímpicos Tóquio-2020 (col. particular).

Fig. 5 – Folha comemorativa com selos da estafeta da chama dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio-2020.

Fernando Xavier Martins

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